Falta de estrutura dificulta pesquisa de fósseis em museu do Cariri

Local tem importante acervo do Araripe, maior sítio paleontológico do Brasil, mas carece de condições para conservação

Fachada do Museu de Paleontologia, de Santana do Cariri, no interior do estado do Ceará

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SANTANA DO CARIRI (CE)
O sol forte e os termômetros marcando quase 35˚C anunciavam mais um dia de muito calor na pequena cidade de Santana do Cariri, no semiárido cearense. Havia poucas pessoas nas ruas, uma feira de comida com três barracas e alguns carros estacionados na principal praça da cidade, onde réplicas de dinossauros faziam companhia a cachorros em busca de uma sombra.

No município de quase 18 mil habitantes, os animais pré-históricos não são desconhecidos da população, que já está familiarizada com as histórias de pessoas que vêm de fora, interessadas nessas relíquias preservadas nas rochas.

Um destaque para a região é o Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, que possui dois andares onde ficam abrigadas uma exposição dos principais fósseis encontrados ali, uma sala para preparação, uma para produção de réplicas, uma lojinha —desativada— e uma biblioteca, além de uma copa, dois banheiros e uma sala administrativa.

O museu possui também um acervo contendo cerca de 9.000 peças —fósseis de plantas, insetos, peixes, anfíbios, répteis, aves e outros organismos. Acondicionados em gavetas de madeira, muitos dos fósseis estavam expostos em mesas e aguardando ainda a incorporação na coleção científica.

Os holótipos —espécimes que designam uma espécie— ficam guardados, mas as condições de armazenamento são precárias, e a sala carece de refrigeração, o que é essencial para a preservação.
SANTANA DO CARIRI, CE, BRASIL, 27-11-2021: Fósseis do Museu de Paleontologia de Santana do Cariri, no interior do estado do Ceará. (Foto: Eduardo Anizelli/ Folhapress, COTIDIANO) ***EXCLUSIVO***. Folhapress/Eduardo Anizelli


Nas salas de estudo e preparação, não há computadores, lupas nem mesmo cadeiras em boa qualidade para que alunos da Urca (Universidade Regional do Cariri) ou visitantes de outras instituições de pesquisa possam fazer seus estudos.

No momento da visita da reportagem, os banheiros possuíam portas com trincos quebrados e faltava até papel higiênico.

A condição precária do museu reflete na própria região. A atividade econômica principal de Santana do Cariri, assim como dos municípios vizinhos de Nova Olinda e Barbalha, é a extração de pedras para a produção de pisos e móveis.
Funcionário trabalha em lajes de calcário laminado, na pedreira do Idemar, em Nova Olinda, interior do estado do Ceará.


Em geral, os trabalhadores recebem pela metragem de pedra cortada —quanto mais pedras de 50 cm por 50 cm preparadas, maior o pagamento. Só recentemente salários mínimos começaram a ser pagos a alguns funcionários, que conversaram sob condição de anonimato com a reportagem, por medo de sofrer represálias.

Os baixos salários e as condições precárias do ofício acabam estimulando a oferta de peças fósseis que os mineradores encontram em troca de dinheiro.

Além da situação nas minas, o turismo na região, que poderia ser fortemente incentivado graças ao Geopark Araripe —criado em 2006 e reconhecido pela Unesco como sítio de patrimônio da humanidade—, ainda não é valorizado.

Recentemente, uma iniciativa da Funcap (Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico) junto ao Governo do Estado do Ceará lançou um edital para a contratação de dez bolsas de pesquisador visitante para investigar os fósseis do Araripe e ajudar no conhecimento paleontológico, incluindo na curadoria da coleção de fósseis do museu.

O investimento inicial no projeto é de R$ 2,16 milhões, com previsão para dois anos e possibilidade de prorrogação.

De acordo com um plano estratégico do Geopark Araripe, lançado em 2017, o museu irá receber uma loja para venda de produtos regionais, o aluguel do espaço e do auditório da sede do Geopark, que fica na Urca, no Crato (CE), e uma iniciativa voltada diretamente para a especialização em turismo sustentável e desenvolvimento regional, com 5% da arrecadação destinados ao parque.

Além disso, o museu conta com uma verba anual passada pela universidade, que varia a cada ano, de acordo com o repasse estadual para as universidades. A reportagem solicitou ao governo do Ceará e à Funcap (Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico) o valor repassado nos últimos anos ao museu, mas não obteve resposta até a publicação.



Matéria: Folha de São Paulo  Eduardo Anizelli

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